Tempos Orwellianos

Ah, traiçoeira novilíngua, que tanto revela o quanto oculta…
Ah, a novilíngua da comissão da verdade…
Que verdade? O que ainda não foi dito? O que falta dizer?
Era tudo mentira? O Brasil do nunca mais tornou-se o Brasil do nunca antes?
Mais impostos gastos em paradisíacas viagens de helicópteros… Mais platéia para uns poucos, agora velhos muito bem amparados, velhos que foram jovens de corações românticos e cruéis. Mais calhamaços, iguais a tantos outros que já foram redigidos.
Para quê? Como se concebe que o estado de direito crie uma comissão de finalidades jurídicas esvaziadas? Apenas para satisfazer um tribunal político estrangeiro, que diz que nosso direito, nossa Constituição e nosso Supremo estão errados?
Ah, mas a comissão não é jurídica, é política!
Sendo política, como os políticos desta terra, desvelará ela a verdade?
Há algo mais ingenuamente orwelliano do que uma corrente política [tributária de uma concepção místico-filosófica], que trata a história e a própria realidade como meras versões “ideológicas”, batizar qualquer coisa de “verdade”?
A verdade deles decerto não é a nossa. A verdade deles está em um castelo nas nuvens. Como os cegos que o habitam, valem-se de espinhos para apimentar os sentidos restantes e na dor descrever o mundo. Verdade para eles é o que seus interesses e sua cegueira ditam que a verdade seja.

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