Uma lição da biografia de Jesus, com Paul Johnson como monitor

Começo com o meu sincero agradecimento aos amigos Felipe Dantas e Odinei Draeger pela oportunidade de compartilhar este espaço. É algo bem precioso poder realizar uma antiga aspiração, várias vezes adiada – a de escrever e publicar – justamente ao lado de pessoas com quem tanto me identifico e com as quais tanto aprendi, desde os bancos da faculdade, passando pelo breve exercício conjunto da advocacia até a atual convivência fraterna (e, com Odinei,  também profissional) dos idos de 2004 pra cá. Saibam que deixaram o amigo velho aqui bastante feliz, feliz mesmo!, com a acolhida.

Fiquei muito bem impressionado com o blog desde a primeira leitura mas acabei demorando a escrever – o convite para vir se juntar foi feito já há algumas semanas – à espera do surgimento de um assunto jurídico, que acabou não aparecendo até agora…hehehe

A motivação acabou vindo de uma das leituras do recesso forense: Jesus: uma Biografia de Jesus Cristo para o Século XXI – desse patrimônio britânico, ou melhor, universal,  chamado Paul Johnson – publicado aqui pela editora Nova Fronteira.

Que livro! Johnson já começa anunciando que seus objetivos foram clareza e concisão. E, como de costume, deixa logo bem evidente a sua convicção: Jesus, de quem vai falar, é Deus. Ao longo do livro não se vê nenhuma sombra de propensão a se desculpar por essa crença nem de negar aos ensinamentos e ao exemplo de Cristo o crédito por “todas as verdadeiras melhorias no modo como os seres humanos vivem e se comportam uns com os outros”. Definitivamente, não se trata do tipo de escritor que se intimida com o que quer que seja…

O fato é que o homem me parece insuperável, ao menos hoje, na capacidade de combinar clareza e concisão com uma vasta erudição, exercida com total segurança, sem nenhum resquício de exibicionismo. Some-se essa enorme capacidade do escritor à riqueza inigualável do biografado… A gente termina de ler o livro com a total certeza de que, realmente, nos últimos dois mil anos ninguém conseguiu acrescentar nada: bons foram os que souberam aprender aquelas lições, e os melhores foram os que conseguiram seguir aquele exemplo.

Dentre tanta luz, uma passagem notável que acho que vale a pena trazer para cá está no capítulo VII (Os novos Dez Mandamentos de Jesus):

“… o primeiro é: cada um de nós deve desenvolver uma personalidade verdadeira. Jesus ensinou que cada um de nós é único e tem, além de um corpo, uma alma na qual nosso caráter é preservado. O corpo é frágil e mortal; a alma é indestrutível e atemporal. Este é o ensinamento mais importante de Jesus, implícito em todas as suas observações. Temos o dever de desenvolver uma consciência pessoal: não em qualquer sentido egoísta, mas nos tornando conscientes de nossa existência como um ato da criação de Deus. Podemos ter todos os tipos de existências coletivas, como membros de uma família, tribo, nação, raça, grupo religioso ou profissão. Mas nossa personalidade, que moldamos e sustentamos, é absolutamente única para Deus. Ele sabe tudo sobre nós, vê e avalia tudo o que fazemos, dizemos e pensamos. Nosso conhecimento disso é um elemento fundamental em nossa consciência pessoal. Mas, ligado à nossa consciência de nós mesmos, está o direito à autodeterminação. Cada um tem uma vontade, e é exercendo essa vontade que moldamos a personalidade que nos é dada no nascimento e nos pertence durante toda a nossa vida. Por mais insignificante e impotente que qualquer um de nós pareça ser, todos temos uma vontade livre e, portanto, o direito e a capacidade absolutos de decidir por si mesmos. A personalidade é, ou pode ser, todo-poderosa em relação a si, e nunca tem limites. Era o que são Paulo queria dizer quando, uma geração após a morte de Jesus, escreveu que “onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3:17).

As implicações sociais e políticas da personalidade sáo infinitas e se tornaram a essência do cristianismo. Elas foram desenvolvidas por mais de dois mil anos de história, e continuam a ser desenvolvidas hoje. Personalidade, a singularidade humana, é a glória da raça humana. Mas isso tem suas consequências. Primeiramente, responsabilidade: apenas nós somos responsáveis pela personalidade que moldamos durante a vida. E seremos responsáveis por ela na morte. O julgamento final, com suas implicações para a eternidade, é o preço que pagamos pela autodeterminação. (…) “

Nesses dois mil anos, oscilando entre o bem e o mal, justiça e selvageria, ternura e crueldade, progresso e degeneração, união e desconfiança, os homens mais feriram e foram feridos quando, embrigados pelas mais doces promessas, renuciaram a sua consciência pessoal em favor dos ditames de entes externos, e quando permitiram à vontade ver-se livre da responsabilidade.

Como os apelos contrários não acabam nunca mesmo – há até temas em que as tentativas de tutela das consciências e de edificação de uma ética desligada da responsabilidade parecem viver seu melhor (ou mais tenebroso) momento, como, respectivamente, no que se refere à liberdade de expressão e ao cosumo de entorpecentes – é preciso dizer (mesmo não sendo nenhuma novidade já há mais de dois milênios): essa combinação magnífica de liberdade e responsabilidade chamada personalidade é, como sintetiza Jonhson, “o segredo da vida”. Nada pode susbtituí-la.

 

 

 

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3 respostas para “Uma lição da biografia de Jesus, com Paul Johnson como monitor”

  1. “Personalidade, a singularidade humana, é a glória da raça humana. Mas isso tem suas consequências. Primeiramente, responsabilidade: apenas nós somos responsáveis pela personalidade que moldamos durante a vida. E seremos responsáveis por ela na morte. O julgamento final, com suas implicações para a eternidade, é o preço que pagamos pela autodeterminação. (…) ”

    Me parece que era algo parecido com isso que estive conversando antes de uma audiência com um certo magistrado autor do artigo hehe

    Uma feliz coincidência pela relevância do assunto.

    Grande abraço e parabéns pelas relexões.

    Arthur Dutra

    1. Salve Dr. Arthur,
      Pois é, essa é a lição número um mesmo, não há dúvida…
      Prazer em vê-lo aqui.
      Obrigado e um abraço!
      Marcos Freitas Jr

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