Quando o "preço justo" vira "preço politicamente correto". E agora etnicamente qualificado.

Essa merece a inauguração de mais uma “tag” do blog. Parafraseando Stanislaw Ponte “Mulher Afrodescendente”  (temos que ser precavidos nestes tempos), lanço aqui o primeiro post FEBEJUAPÁ (Festival de Besteiras Jurídicas que Assolam o País) do direitoeliberalismo.org.

Seria cômico, se não fosse muito, muito trágico. Deu no Globo:

Conselho vai investigar caso de bonecas em feira

O Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine) enviará três representantes à Feira Hippie de Ipanema, no domingo, para checar a diferença de preço entre bonecas de pano negras e brancas. Uma barraca cobra R$ 85 pelas brancas e R$ 65 pelas negras, embora as duas sejam praticamente iguais. O presidente da entidade disse que “vamos, primeiramente, convencer a pessoa a tratar com isonomia, com igualdade (brancas e negras). Se ela se recusar, vamos fazer uma denúncia formal ao Ministério Público e procurar a Defensoria Pública — disse Paulo.”

Um das razões da legislação sobre preços abusivos (preços foram o “tema” do blog nesta semana: aqui e acolá) é uma espécie de recalque anticapitalista. O comerciante pode vender seu peixe (é o jeito: se fosse possível, retirar-lhe-iam o ponto), mas querem dar pitaco em quanto ele pode lucrar. Seria “imoral” lucrar “em demasia”.

Esta notícia é diferente do que vínhamos tratando, porque inaugura uma nova modalidade de controle pelo Estado sobre o valor das coisas: para além do “preço justo”, o governo pode agora definir o “preço politicamente correto”. Soube desta notícia em um contexo que tentava justificar a conduta da feiramente… O absurdo da bagunça, desse escarcéu, é justamente isso. As bonecas são dela, e ela vende ou não vende pelo preço que quiser. A imoralidade está em o governo querer se meter nisso. Subjetivamente, a feirante poderia até querer vender bonecas pretas por um preço mais baixo para criar a demanda por bonecas dessa cor, ou então até por questões raciais. Assim como o Estado impõe cotas para cor, boneca preta na feira de Ipanema pode ser mais em conta como alguma forma de propaganda racial, como uma forma de incentivar que mais crianças possuam brinquedos etnicamente diversificados.

Mas nada disso é relevante. A única coisa que importa nesta notícia é que os motivos pelos quais a feirante vende bonecas com preços diferentes não são da conta de NINGUÉM! Eu tenho é pena dessa senhora – certamente vão autuá-la também por não ter em exposição bonecas representativas de outras “minorias”.

Bonecos são apenas brinquedos em forma de representação de gente. Este caso é uma besteira jurídica porque é um absurdo categorizar a discrepância dos preços como violação à isonomia: uma boneca preta não tem os mesmos direitos que uma boneca branca, pelo simples fatos de que nenhuma das duas possui nenhum direito. Bonecos são objetos, não pessoas. Se a representação proporcionada por uma boneca é algo juridicamente tão relevante – e não é -; se é para levar bonecos tão a sério – e não é -; a venda de “humanos” em miniatura poderia ser – na mesma toada de absurdos – considerada apologia à escravidão. Chamem logo o Ministério do Trabalho, e tirem de uma vez o ganha-pão da coitada da feirante.

 

 

 

 

 

 

 

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