Julgamento do Mensalão # 2: argumentação da defesa escancara defeito deontológico da esquerda

Fazendo um apanhado geral das sustentações orais no caso mensalão, pouca coisa relevante se aproveita. Nenhuma tese propriamente nova. Houve uma zebra: a maior vitória até agora foi a do defensor público, que roubou a cena em um teatro de advogados milionários. No mais, e nos temas que são mais próximos a este blog, destacaram-se os dois principais argumentos das defesas:

(1) O argumento de que “todos são sujos” (“o PSDB, o DEM, todo partido fez mensalão”);

(2) O argumento de que “os fins eram justos” (“o dinheiro movimentado era apenas caixa dois para pagar dívidas de campanha do partido do Lula, que fez coisas que ninguém fez nunca antes neste país”);

Já identificamos este problema em nossa “declaração de princípios”, ao descrevermos o que, em nosso entendimento, é um sério defeito deontológico do marxismo, e que acarreta justamente os sintomas que vemos nas sustentações orais dos advogados que defendem os mensaleiros:

Defeito deontológico: Não é que a ausência de uma teoria do direito e da justiça nos escritos marxistas signique que o marxismo não creia na existência do direito. Reconhece-se que o direito existe, mas ele não possui valor porque é um direito burguês, a ser combatido e fadado a desaparecer. Como o marxismo não possui nenhuma formulação de sistema jurídico para por no lugar do direito atual, o resultado é nefasto. O campo jurídico, quando operado por marxistas, é despido de qualquer legitimidade, de qualquer juízo ontológico de certo/errado. Sujeito a um uso meramente “estratégico”, o sistema jurídico é constantemente danificado por operações jurídicas cínicas e ilegais. Um exemplo disto é um ilícito de um político de esquerda ser considerado menos pior do que o praticado por um adversário,  sob o argumento de que “todos são sujos” e de que os fins da esquerda são mais benéficos à sociedade.

Ou seja, os dois pontos mais debatidos pela defesa são, na verdade, agravantes das condutas dos mensaleiros, vez que demonstram a imoralidade intrínseca no uso de recursos públicos para o custeio de ambições partidárias.

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