O fracasso do comunismo nas primeiras colônias americanas

Saber que o comunismo gera tragédias não é novidade. Os exemplos do século XX são os mais dramáticos porque o número de vítimas é tremendo. Em estimativas realistas mais de 100 milhões de mortos. Dessas mortes, grande parte foi causada por um resultado inevitável da coletivização da propriedade: a fome. A Coréia do Norte não sabe o que é produzir alimentos para seus súditos há um bom tempo e, para evitar uma revolução interna (ironia?), tem ameaçado o mundo com uma guerra nuclear. Contudo, um exemplo mais didático da perversidade inata do comunismo pode ser vista na própria colonização americana.

As primeiras levas de colonos eram de puritanos revolucionários (radicais) e, uma vez na nova terra, deixaram para lá séculos de tradição e decidiram aplicar ao pé da letra algumas passagens bíblicas que incentivavam a coletivização da propriedade. Esse fato, como bem apontou o professor Olavo de Carvalho na introdução do artigo “Mais sábios que Deus“, já tinha tornado os puritanos radicais insuportáveis na Inglaterra:

“Os habitantes de Plymouth, revolucionários puritanos exilados, trouxeram para a América as idéias sociais esplêndidas que os haviam tornado insuportáveis na Inglaterra, e tentaram construir seu paraíso coletivista no Novo Mundo. As terras eram propriedade comunitária, a divisão do trabalho era decidida em assembléia e a colheita se dividia igualitariamente entre todas as bocas. O sistema havia resultado em confusão geral, a lavoura não produzia o suficiente e aos poucos a miséria havia se transformado naturalmente em anarquia e ódio de todos contra todos”.

Até aí tudo bem, o assunto era desconhecido apenas dos socialistas bem-intencionados. O fato que chamou-me a atenção é que na última edição impressa da Revista Veja (ed. 2322) [uma versão diferente está na internet aqui] há uma reportagem da autoria de Duda Teixeira mostrando uma descoberta feita recentemente pelo arqueólogo americano William Kelso, na qual ele descreve que encontrou os ossos de uma menina de 14 anos – Jane – que chegou a Jamestown em um navio de suprimentos em 1609 e, meses depois, sofreu uma morte misteriosa e teve seu cadáver desmembrado para ser devorado por um grupo de colonos. Marcas em seus ossos mostraram que ela teve a carne de seu rosto destrinchada e a tíbia descarnada. O horror da situação teve sua causa na radical experiência revolucionária implantada na colônia: a propriedade era comunitária e a produção dividida por todos, características essenciais do comunismo.

Jamestown, Virgínia

Situação semelhante ocorreu em várias outras colônias e, no caso de Jamestown, somente em 1611, quando a chegada do novo administrador inglês, Thomas Dale, é que a situação mudou. A paz e a prosperidade foram conseguidas abolindo-se a propriedade coletiva. Cada homem recebeu três acres de terra e ficou responsável pelo seu próprio sustendo. Em 1775 a economia americana era 100 vezes maior que em 1630.

A introdução de alguns conceitos bastante simples – propriedade privada e responsabilidade individual – permitiu que os americanos saíssem da completa degradação, resultado inescapável do comunismo, para um patamar de liberdade e prosperidade superiores aos da Inglaterra.

Dois pontos ignorados pelos colonos em seu experimento comunista podem ter ligação direta com o destino da colônia. Primeiro, a ignorância de que a apropriação é um fenômeno que faz parte da estrutura da realidade, e não é uma instituição social somente. É impossível que não haja apropriação. Em um sistema comunista, coletivista, a propriedade estará sempre nas mãos daqueles que possuem o poder político. Não há verdadeira liberdade em seu uso, e sem liberdade não há responsabilidade. Portanto, em segundo lugar, e do ponto de vista moral, o comunismo gera a ausência de responsabilidade individual e também a noção equivocada de um direito à parcela das riquezas produzidas pela comunidade sem vinculação direta com a própria contribuição individual. Isso causa uma espécie de apatia quanto à necessidade de auto-sustento e cria uma expectativa irreal de que a comunidade tem o dever de sustento do indivíduo independentemente de sua contribuição pessoal. Essa concepção, por sua vez, ignora que a pobreza é o estado natural do homem e que sem um uso apropriado dos recursos naturais ele jamais será superado. Na reportagem é dito que apesar do solo féril, da abundância, os homens não encontraram estímulo para trabalhar.

Assim, a retirada planejada da propriedade e a inserção da decisão coletiva sobre os frutos do trabalho individual parecem ter criado uma ordem claramente desfavorável não só à liberdade, mas à manutenção da vida em um ambiente natural longe de ser hostil, gerando não só fome e miséria, mas os comportamentos mais abomináveis. Essa degradação se repete em cada país onde os mesmos critérios de organização comunista são inseridos. A notícia boa é que os americanos não precisaram testar o modelo à exaustão para saber que ele não funcionava e a ruim é que a história parece repetir esses fracassos porque não damos atenção às valiosas lições do passado.

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6 respostas para “O fracasso do comunismo nas primeiras colônias americanas”

  1. Quanta besteira. Qualquer pessoa com acesso à Wikipedia é capaz de verificar por si as condições históricas que levaram à fome e ao canibalismo em Jamestown, que nada têm a ver com comunismo ou coletivismo. Respeite a inteligência dos seus leitores.

  2. Hudson, obrigado pelo comentário.

    Se fatores acidentais tiveram algum influência sobre Jamestown, isso não retira o ponto central do post, de que a propriedade comunal e as decisões coletivas levaram a um problema de escassez de recursos.

    Em que medida os acidentes foram mais importantes do que os pressupostos indicados no post, essa é uma questão que renderia uma boa discussão.

    Fique à vontade, portanto, para nos brindar com seus conhecimentos wikipedianos, mesmo que isso insulte nossa inteligência.

    Abraços

    Odinei Draeger

  3. Esquerdismo sendo doença com baixos índices de cura, e sendo epidêmica hoje no mundo globalizado, resta saber com quem a civilização pode contar, ainda mais com a aliança esquerdas x islã. Pobre Mundo (ainda) Livre.

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